20 abril 2011

Lille, França, 10/07/10

Ao sincronizar meu iPhone hoje de manhã, dei de cara com esta foto. It made me smile! :)


Photographer: Juliana Wiklund
http://destinationweddingphotography.se/


Juliana.

16 abril 2011

12 abril 2011

Nada de estereótipos, por favor!

Desde que me mudei para a Europa, há cinco anos e meio, sou freqüentemente lembrada, sempre com muito desgosto, de que venho de um país em desenvolvimento, e que meu sangue não é tão azul como os felizardos que nasceram em países desenvolvidos. O tipo de abordagem depende do interlocutor, obviamente, mas a mensagem é quase sempre a mesma: a de que sou proveniente de um lugar nada sério, como Charles de Gaulle descreveu uma vez.

Tudo começou em 2005, quando emigrei para a Inglaterra. Ali mesmo, na imigração, tive que me submeter a uma radiografia dos pulmões, para provar que não tinha tuberculose, e daí sim poder entrar no país e ficar. O curioso é que, em Portugal, membro da União Européia, a taxa incidência da doença é tão grande quanto no Brasil, mas nenhum português precisa fazer o mesmo teste. Já a Inglaterra, onde uma nova vacina está sendo testada, apresentou um aumento de 25% nos casos de tuberculose nos últimos dez anos. A magnitude da doença é mundial, mas não adianta: alguém tem que pagar o pato. E que sejamos nós, os "pobrezinhos" do Terceiro Mundo.

Os campeões de encheção de saco são as companhias aéreas. Quando fui à Itália, em 2009, quase não consegui embarcar de volta para a Noruega porque a funcionária da SAS achou que eu deveria voltar ao Brasil, e não continuar na Europa. Na última vez que fui à Inglaterra, em 2010, quase não consegui embarcar, porque a mocinha da British Airways não se convenceu ao ver minha passagem de volta para a Noruega a partir da França, voando SAS. Cada vez que volto da França e despacho minha bagagem, as atendentes da SAS me questionam sobre o que venho fazer na Noruega e se tenho visto para entrar aqui, mesmo não sendo obrigada a ter um se o meu objetivo for apenas visitar.

Nos guichês de imigração, quase tudo igual. Mesmo tendo vivido dois anos e meio na Inglaterra, só entro no país se tiver uma carta-convite assinada por alguém que mora legalmente lá. Na França, uma amiga minha foi ridicularizada quando viajava com o namorado europeu. Quando viajei aos Estados Unidos a trabalho no ano passado, mesmo já tendo entrado e saído do país como turista em 1995, tendo comigo meu passaporte brasileiro com um visto americano e dois vistos europeus válidos, mais uma carta do meu empregador explicando o motivo da minha viagem, detalhando o itinerário e informando meu salário anual, fiquei mais de uma hora presa numa sala com mais um bando de viajantes. Só fui liberada depois de ser entrevistada por um policial, que pareceu me fazer um favor ao me deixar entrar no país.

Aqui na Noruega, quase tudo se repete. Tive que fazer a mesma radiografia dos pulmões quando cheguei em 2008. Ainda não tive nenhum incidente com a imigração, até porque moro e trabalho aqui e tenho visto de residência no país. Mas foi ao me cadastrar como doadora de sangue no país que veio a maior surpresa: por ser brasileira, não sou qualificada para doar sangue. E tampouco qualificada para o "SUS norueguês" me ajudar, se alguma coisa acontecer comigo enquanto estiver viajando pela Europa, como acontece para todo e qualquer imigrante de outro país da comunidade, que trabalha e paga impostos na Noruega tanto quanto eu.

A ignorância e arrogância também atinge pessoas que convivem comigo, o que me deixa mais atônita. Recentemente escutei da mesma pessoa, mais de uma vez, que venho de um país pobre e subdesenvolvido, onde pessoas morrem e são roubadas nas ruas. Ora. Que o Brasil tem problemas, todo mundo sabe. E qual país não tem os seus?



Hoje em dia, o Brasil já é a maior economia da América Latina e a décima maior do mundo. Em 2050, estará provavelmente em quarto lugar, ultrapassando países como a Alemanha, Japão e o Reino Unido, segundo um estudo da Goldman Sachs. Claramente, nós viramos a página, e somos hoje uma nação com o peso, ambição e fundamentos econômicos para se tornar uma potência mundial. Mas o país tem enormes desafios que deve superar antes de poder viver plenamente até seu potencial.

O setor público está inchado e cheio de corrupção. A criminalidade é galopante. A infra-estrutura necessita de muitos reparos e expansão. O ambiente empresarial é restrito, com uma legislação trabalhista da época do "êpa". O Brasil também tende a ficar na retaguarda, o que faz com que tenha uma imensa dificuldade em quantificar o enorme trabalho que precisa ser feito para que o país tome jeito.

Por outro lado, não podemos negar que tem muita coisa boa acontecendo no momento, e que o Brasil nunca teve tantas oportunidade quanto tem tido e terá nos próximos anos. Vai de nós saber aproveitar. E também, de saber se mostrar.

Beijocas!
Juliana-a-mom2be-orgulhosa-de-mais-um(a)-brasileirinho(a).

08 abril 2011

O mundo dos trabalhos manuais

Para orgulho da minha avó, resolvi desenterrar do passado um "novo-velho" hobby: me rendi, outra vez, aos encantos dos trabalhos manuais e decidi tentar voltar a tricotar.


Tudo começou quando descobri que nem minha mãe, nem minha sogra, são tricoteiras de plantão. As duas são habilidosas, mas cada qual tem suas preferências, que infelizmente não incluem tricô. Foi quando entrei em pânico, já que, aparentemente, parecia ser a única mãe do mundo cujo bebê não teria nem um único casaquinho! A boa notícia veio mesmo quando, depois de uma semana de caça à tricoteira, recebemos um e-mail da tia-avó do bebê, cunhada da minha sogra, se oferecendo pra nos salvar. Ufa! Isso foi o mais perto que eu e Matthieu conseguimos chegar de alguém que domina as agulhas, infelizmente.

Eu nunca tive aulas de tricô na escola. O pouco que aprendi foi com a minha avó, que também não é lá uma Brastemp na arte de criar alguma coisa a partir de um novelo de lã. Durante a minha infância, tive uma fase onde tentei me achar entre diversos trabalhos manuais, mas nunca gostei tanto de nenhuma das opções a ponto de me engajar num projeto desafiador. Achava crochê sacal e ponto-cruz meio sem sentido. Tenho quase certeza de que eu gostava de bordar telas, mas, sinceramente, não lembro nada sobre tricotar. Na verdade, eu acho que não devia gostar muito porque nunca aprendi direito, e nunca aprendi direito porque não gostava muito. Pelo que me lembro, nunca fiz nada mais do que roupas de lã para uma das minha bonecas. E só.

Eu tenho várias amigas que costuram, tricotam, crochetam, fazem ponto-cruz, enfim, quando você entra mais a fundo no assunto, descobre que o tal negócio na verdade nunca saiu de moda. O mais curioso disso tudo é a maioria vem das amigas tricoteiras vem das ciências exatas, como eu. Uma é engenharia disso, a outra engenheira daquilo. Acho que no fundo no fundo no fundo todas colocam o lado meio Ana Machadão pra escanteio quando o assunto é arts and crafts. Sei lá.

Como elas, sempre quis fazer alguma coisa, mas nunca achei tempo, tampouco disposição. Até que, dias atrás, lendo um daqueles intermináveis boletins que recebo de sites relacionados à gravidez, cliquei num link que me levou prum outro site, onde fiquei e de onde não saí mais. NOTHS, como é carinhosamente chamado por aqueles que têm preguiça de digitar o nome inteiro do site, parece ser o equivalente do Etsy, só que no velho mundo. E também a perdição da mulherada, como é de se esperar de um site desses. Os dois endereços concentram artesãos que vendem suas criações on-line, mais ou menos como se a Feirinha do Largo da Ordem tivesse uma versão eletrônica. Imaginem só aquela bala de côco deliciosa da feira, a um clique de você. Mais ou menos assim! :)

Já absorvida pelo site, depois de vasculhar dezenas de páginas, acabei caindo nuns kits de tricô para iniciantes. Coisa simples: você encomenda um kit per internet, e recebe um pacote de supermercado com tudo dentro. Desde as instruções de como tricotar, até a quantidade certinha de lã que você precisa pra fazer uma ou outra coisa, mais as agulhas, etc. Não tive como não lembrar do nosso drama recente na busca pela tricoteira, e do tempo livre que vou ter na França, quando da minha mudança em julho.

Bem. Tudo isso pra dizer que acabei comprando o tal pacote. Teoricamente, tenho que conseguir tricotar e montar um gato preto de tricô em algumas semanas. O que vai sair dali já não posso garantir. Prometo que, terminada a aventura, tiro uma foto e publico aqui!

Beijos!
Juliana.

02 abril 2011

Três meses e meio

[Tamanho do bebê na semana 15]
O bebê já tem oitenta gramas, e mede quase dez centímetros!

Juliana.

01 abril 2011

Rumo ao segundo trimestre

Eu e o Matthieu nunca fizemos questão de anunciar aos quatro ventos que, por ventura, poderíamos aparecer grávidos de um dia para o outro. Também nunca escondemos de ninguém que estávamos engajados no tal "projeto". Tudo aconteceu meio rápido demais e quase que por acaso: acho que posso afirmar que subestimamos nós mesmos! Well, well. Nada de que a gente não dê conta. ;)

Quem me conhece bem, sabe que eu dificilmente encaro projetos incertos, que nunca jogo pra perder e que "arriscar" é uma palavra que está praticamente fora do meu vocabulário. Pé no chão que sou, foi realmente muito difícil aceitar que já quase passei da idade de ter o primeiro filho, e que talvez o futuro não vá ser exatamente como eu tinha planejado na infância. Naquela época, eu imaginava que no ano dois mil, então com vinte e cinco anos, eu seria casada e já teria um casal de filhos lá pelos quatro anos de idade. Bem. No ano dois mil, eu ainda nem pensava em casar. O que aconteceu depois disso, todo mundo sabe.

Comecei a desconfiar da gravidez lá pela quarta semana, depois de ter passado por uma ecografia de rotina uma semana antes. Ainda durante a consulta, o médico se engajou numa conversa estranhíssima comigo, onde literalmente disse que eu não estava grávida. Sei lá porque ele tocou no assunto. Eu estava lá pra checar outras coisas, não isso. De qualquer maneira, lembrar da cena me faz rir até hoje.

Invoquei com a possibilidade de ser gestante nos meus últimos dias de férias no Brasil, mas acabei esquecendo o assunto e nem comentei com o Matthieu. Depois disso, ainda fiquei curtindo a idéia por mais umas duas semanas, quando, finalmente, não me agüentei e passei na farmácia. É engraçado como somos criados pra nos encabular em algumas situações corriqueiras, como, por exemplo, comprar um teste de gravidez. Puxa vida, eu tenho trinta e seis anos, sou casada, lavo minha próprias calcinhas e não devo nada a ninguém. Mesmo assim, levei um tempo enorme pra conseguir encarar a balconista, e quase morri quando ela me mostrou vários tipos de testes, pedindo pra eu escolher um. Acabei deixando ela mesma escolher: a situação já estava ficando demasiadamente constrangedora pra mim.

Depois de fazer xixi no tubinho - torcendo pra que desse positivo - e de ver o resultado, um turbilhão de perguntas sem respostas invadiu a minha cabeça. Fiquei uns belos minutos andando em círculos pela casa, tentando solucionar todas elas. A cada volta completa em cima do tapete, mais e mais respostas. Sendo assim, fui dormir despreocupada, já que na minha cabecinha cartesiana tudo estava sob controle. Outros dois testes e dois dias depois, contei para o Matthieu, que levou bem mais de dois dias pra acreditar em mim. :)

O primeiro trimestre de gestação foi super tranqüilo, nem parecia que eu estava grávida. Não tive um enjoozinho sequer. Na verdade, da lista de sintomas que aterrorizam o período, tive poucos: pele seca, mau-humor, um pouco de insônia, e o infalível xixizinho da madrugada. Este último, diga-se de passagem, absolutamente irritante. Como só faz uma semana que entrei no segundo trimestre, posso garantir que quase nada mudou. Com exceção da minha cintura, que sumiu.

Eu tenho lido muito sobre gravidez, e buscado informação em diversas fontes. Como aqui na Europa tudo é muito diferente do Brasil, dei preferência aos livros escritos e recomendados por americanos. Mas, para não ficar tão por fora do que acontece por aqui (ainda mais porque o bebê deve nascer na França), também comprei edições das versões inglesas de dois livros escritos por uma australiana, que até agora são os meus preferidos. Confesso que conselhos de quem cuidou de bebês há milhares de anos não são muito bem vindos: tudo mudou muito, minha gente, e aquele chazinho da vovó pode não ser mais tão inofensivo quanto antes!

Por enquanto, tudo está indo muito-bem-obrigada. Chato mesmo é ficar longe de todos, quando se tem tanta novidade pra contar!

Beijos!
Juliana.