Para orgulho da minha avó, resolvi desenterrar do passado um "novo-velho"
hobby: me rendi, outra vez, aos encantos dos trabalhos manuais e decidi tentar voltar a tricotar.
Tudo começou quando descobri que nem minha mãe, nem minha sogra, são tricoteiras de plantão. As duas são habilidosas, mas cada qual tem suas preferências, que infelizmente não incluem tricô. Foi quando entrei em pânico, já que, aparentemente, parecia ser a única mãe do mundo cujo bebê não teria nem um único casaquinho! A boa notícia veio mesmo quando, depois de uma semana de caça à tricoteira, recebemos um e-mail da tia-avó do bebê, cunhada da minha sogra, se oferecendo pra nos salvar. Ufa! Isso foi o mais perto que eu e Matthieu conseguimos chegar de alguém que domina as agulhas, infelizmente.
Eu nunca tive aulas de tricô na escola. O pouco que aprendi foi com a minha avó, que também não é lá uma Brastemp na arte de criar alguma coisa a partir de um novelo de lã. Durante a minha infância, tive uma fase onde tentei me achar entre diversos trabalhos manuais, mas nunca gostei tanto de nenhuma das opções a ponto de me engajar num projeto desafiador. Achava crochê sacal e ponto-cruz meio sem sentido. Tenho quase certeza de que eu gostava de bordar telas, mas, sinceramente, não lembro nada sobre tricotar. Na verdade, eu acho que não devia gostar muito porque nunca aprendi direito, e nunca aprendi direito porque não gostava muito. Pelo que me lembro, nunca fiz nada mais do que roupas de lã para uma das minha bonecas. E só.
Eu tenho várias amigas que costuram, tricotam, crochetam, fazem ponto-cruz, enfim, quando você entra mais a fundo no assunto, descobre que o tal negócio na verdade nunca saiu de moda. O mais curioso disso tudo é a maioria vem das amigas tricoteiras vem das ciências exatas, como eu. Uma é engenharia disso, a outra engenheira daquilo. Acho que no fundo no fundo no fundo todas colocam o lado meio Ana Machadão pra escanteio quando o assunto é
arts and crafts. Sei lá.
Como elas, sempre quis fazer alguma coisa, mas nunca achei tempo, tampouco disposição. Até que, dias atrás, lendo um daqueles intermináveis boletins que recebo de sites relacionados à gravidez, cliquei num
link que me levou prum outro
site, onde fiquei e de onde não saí mais.
NOTHS, como é carinhosamente chamado por aqueles que têm preguiça de digitar o nome inteiro do site, parece ser o equivalente do
Etsy, só que no velho mundo. E também a perdição da mulherada, como é de se esperar de um
site desses. Os dois endereços concentram artesãos que vendem suas criações
on-line, mais ou menos como se a Feirinha do Largo da Ordem tivesse uma versão eletrônica. Imaginem só aquela bala de côco deliciosa da feira, a um clique de você. Mais ou menos assim! :)
Já absorvida pelo
site, depois de vasculhar dezenas de páginas, acabei caindo nuns
kits de tricô para iniciantes. Coisa simples: você encomenda um
kit per internet, e recebe um pacote de supermercado com tudo dentro. Desde as instruções de como tricotar, até a quantidade certinha de lã que você precisa pra fazer uma ou outra coisa, mais as agulhas, etc. Não tive como não lembrar do nosso drama recente na busca pela tricoteira, e do tempo livre que vou ter na França, quando da minha mudança em julho.
Bem. Tudo isso pra dizer que acabei comprando o tal pacote. Teoricamente, tenho que conseguir tricotar e montar um gato preto de tricô em algumas semanas. O que vai sair dali já não posso garantir. Prometo que, terminada a aventura, tiro uma foto e publico aqui!
Beijos!
Juliana.