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20 abril 2011

Lille, França, 10/07/10

Ao sincronizar meu iPhone hoje de manhã, dei de cara com esta foto. It made me smile! :)


Photographer: Juliana Wiklund
http://destinationweddingphotography.se/


Juliana.

08 abril 2011

O mundo dos trabalhos manuais

Para orgulho da minha avó, resolvi desenterrar do passado um "novo-velho" hobby: me rendi, outra vez, aos encantos dos trabalhos manuais e decidi tentar voltar a tricotar.


Tudo começou quando descobri que nem minha mãe, nem minha sogra, são tricoteiras de plantão. As duas são habilidosas, mas cada qual tem suas preferências, que infelizmente não incluem tricô. Foi quando entrei em pânico, já que, aparentemente, parecia ser a única mãe do mundo cujo bebê não teria nem um único casaquinho! A boa notícia veio mesmo quando, depois de uma semana de caça à tricoteira, recebemos um e-mail da tia-avó do bebê, cunhada da minha sogra, se oferecendo pra nos salvar. Ufa! Isso foi o mais perto que eu e Matthieu conseguimos chegar de alguém que domina as agulhas, infelizmente.

Eu nunca tive aulas de tricô na escola. O pouco que aprendi foi com a minha avó, que também não é lá uma Brastemp na arte de criar alguma coisa a partir de um novelo de lã. Durante a minha infância, tive uma fase onde tentei me achar entre diversos trabalhos manuais, mas nunca gostei tanto de nenhuma das opções a ponto de me engajar num projeto desafiador. Achava crochê sacal e ponto-cruz meio sem sentido. Tenho quase certeza de que eu gostava de bordar telas, mas, sinceramente, não lembro nada sobre tricotar. Na verdade, eu acho que não devia gostar muito porque nunca aprendi direito, e nunca aprendi direito porque não gostava muito. Pelo que me lembro, nunca fiz nada mais do que roupas de lã para uma das minha bonecas. E só.

Eu tenho várias amigas que costuram, tricotam, crochetam, fazem ponto-cruz, enfim, quando você entra mais a fundo no assunto, descobre que o tal negócio na verdade nunca saiu de moda. O mais curioso disso tudo é a maioria vem das amigas tricoteiras vem das ciências exatas, como eu. Uma é engenharia disso, a outra engenheira daquilo. Acho que no fundo no fundo no fundo todas colocam o lado meio Ana Machadão pra escanteio quando o assunto é arts and crafts. Sei lá.

Como elas, sempre quis fazer alguma coisa, mas nunca achei tempo, tampouco disposição. Até que, dias atrás, lendo um daqueles intermináveis boletins que recebo de sites relacionados à gravidez, cliquei num link que me levou prum outro site, onde fiquei e de onde não saí mais. NOTHS, como é carinhosamente chamado por aqueles que têm preguiça de digitar o nome inteiro do site, parece ser o equivalente do Etsy, só que no velho mundo. E também a perdição da mulherada, como é de se esperar de um site desses. Os dois endereços concentram artesãos que vendem suas criações on-line, mais ou menos como se a Feirinha do Largo da Ordem tivesse uma versão eletrônica. Imaginem só aquela bala de côco deliciosa da feira, a um clique de você. Mais ou menos assim! :)

Já absorvida pelo site, depois de vasculhar dezenas de páginas, acabei caindo nuns kits de tricô para iniciantes. Coisa simples: você encomenda um kit per internet, e recebe um pacote de supermercado com tudo dentro. Desde as instruções de como tricotar, até a quantidade certinha de lã que você precisa pra fazer uma ou outra coisa, mais as agulhas, etc. Não tive como não lembrar do nosso drama recente na busca pela tricoteira, e do tempo livre que vou ter na França, quando da minha mudança em julho.

Bem. Tudo isso pra dizer que acabei comprando o tal pacote. Teoricamente, tenho que conseguir tricotar e montar um gato preto de tricô em algumas semanas. O que vai sair dali já não posso garantir. Prometo que, terminada a aventura, tiro uma foto e publico aqui!

Beijos!
Juliana.

07 março 2011

Rest in peace



[R.I.P. , Comida Nao Entra]
 Foi bom enquanto durou.

Juliana.

04 fevereiro 2007

Um dia que parece uma duzia

O despertador toca as 6 horas da manha no sabado. Praguejo. E praguejo de novo. E de novo. Eu nao funciono bem de manha, nao sei porque insisto em comprar a passagem das 7:30!

Penso em ficar na cama e cancelar todos os compromissos que marquei mas, como sei que sempre sou assim pela manha, ignoro a mim mesma e dou sequencia ao ritual matinal. Nem preciso dizer que estou num mau humor de cobra pisada. Meio fotofobica, meio dormindo acordada - mas ao mesmo tempo com um olho no relogio para ter certeza de que nao vou perder o onibus -, sento na cama. Me localizo no tempo e no espaco, visto meu chinelinho e solto um grunhido, efeito da aula de body pump da quarta-feira anterior em cada musculo do meu corpo. Sera o Benedito? Ja tenho duas coisas pra anotar no meu Moleskine. E olha que ainda estou no segundo paragrafo! Uma: nao compre a passagem das 7:30. Duas: nao faca aula de body pump e va correr depois.

A caminho do banheiro, torco pra nao encontrar alguem. Nao tem coisa pior pra quem nao gosta de conversar de manha do que quem levanta bem humorado. Eu detesto dar "Bom dia!" e so pego no tranco depois de copo de cafe preto la pelas 9:00. Bem, preces atendidas. Eu devo ser a unica pessoa acordada no quarteirao inteiro. Wheeeee!

Tomo meu copo de leite com Ovaltine (momento cultural: quando o Ovomaltine, produto desenvolvido na Suica, foi exportado para a Inglaterra em 1909, houve um "probleminha" no processo de registro da marca e o nome acabou ficando assim!), coloco uma barra de cereais na bolsa e saio.

Sou uma as primeiras a chegar na rodoviaria. Um porque ela fica bem pertinho daqui de casa. Outra porque essa coisa de ingles ser pontual e mentira deslavada. A sala de espera esta sempre trancada e o cenario e sempre o mesmo: eu do lado de fora - quase sempre azeda e congelando - e uma dezena de cadeiras plasticas verdes vazias, repousando no quentinho, parecendo arquibancada de jogo da segunda divisao do Brasileirao. Geez, sala de espera pra quem esperar o que?

Fico me ensaiando pra ir ate a esquina comprar um cafe com leite take-away, mas nao vou. Eu nunca sou a primeira a entrar no onibus nem mesmo quando chego antes de todos os outros passageiros, imaginem se resolver atravessar a rua e voltar depois. Capaz de ir sentada na frente do banheiro ou ao lado do motorista. Ou na frente de uma velhinha. Isso sim e de matar!

Deusquemeperdoe, mas todas as experiencias que tive ate hoje com velhinhas, velhinhos e afins foram pessimas. Tirando a de um espanhol - que ficou reclamando a viagem inteira que o meu banco reclinado estava apertando o joelho dele -, as velhinhas tem roubado a cena em todas as minhas viagens de ida e volta a Londres. Elas tem os direitos delas, eu sei, mas viajar com a bagagem no colo e demais.

Desta vez e um casal. Tamanho o trauma, eu olho varias vezes antes de reclinar meu banco, pra nao acontecer de amassar a pera, o suco, o jornal, o que for. Abaixo devagar, camera lenta mesmo. Bastou eu errar na mao e o encosto rocar no joelho da dita cuja, soa o alarme: "Ela, ela, foi ela!". Ninguem sossega enquanto eu nao apago o fogo, digo, enquanto nao levanto o banco para a posicao mais ereta possivel. Eu, parecendo que estou numa aula de ioga. Eles, abracados na mala, nos sanduiches e nos livros, bem confortaveis. Sempre.

E la se vao duas longas horas. Pelo menos consigo ler meu livro, ja que, por alguma razao qualquer, nao enjoo nos onibus daqui. Nao consigo me concentrar porque a velhinha nao para de falar. Ja sei o nome de todos os vizinhos e das amigas dela. Ah, e do filho tambem. Tambem sei que ele nao gosta de pepino na salada.

Chego em Londres, aquela correria. Passo por todos os pontos cardeais da cidade em menos de oito horas. Pego um onibus, desco na frente de uma mercearia portuguesa para comprar goiabada. Compro um Sonho de Valsa tambem, porque nao sou de ferro. Como ali mesmo - de pe ao lado do balcao -, enquanto o bando de brasileiros que esta comendo coxinha na mesa ao lado nao para de falar mal da vida que levam aqui. Meu bombom esta vencido, sem gosto, um lixo. Tenho que anotar no Moleskine: "compre Sonho de Valsa so se nao for a granel".

Pego outro onibus no sentido contrario do anterior e desco em Oxford Street - a Oscar Freire londrina - para encontrar uma amiga que vai almocar comigo. Estou uma hora atrasada. Ja sao 4:00, ainda nao almocei e meu onibus sai do outro lado da cidade em uma hora e meia. Entramos correndo no restaurante, conversamos correndo, almocamos correndo, tomamos cafe correndo, saimos correndo e aqui estou eu - como em todas as vezes em que faco essa estupidez de vir a Londres por algumas horas -, ridicula, correndo em Oxford Street carregando duas sacolas (c-l-a-r-o que nao comprei so goiabada!) azuis que mais parecem sacos de lixo. Minha amiga ficou pra tras, pelo menos se livrou do papelao. Eu tenho que rir de mim mesma. Antes dela, outros dois fizeram isso. Todos sairam, literalmente, correndo junto comigo pra poder se despedir e garantir que eu nao perdesse o transporte de volta pra casa!

Sas e salvos, mal chegamos (eu, a goiabada e everyhing else) na rodoviaria e o onibus 412 e anunciado no alto-falante. Entro - ainda ofegante - e tenho uma sensacao de deja vu. Vejo muitas velhinhas e velhinhos sentados, espalhados pelo interior do onibus. Todos abracados na mala, nos sanduiches e nos livros, bem confortaveis. Sempre.

Beijao!
Juliana.

05 junho 2006

"Piqueniquei"!

Faltam dezesseis dias para o verao comecar oficialmente e tenho de confessar que ainda nao consigo confiar na previsao do tempo. Estava tentando organizar um piquenique desde o comeco deste mes, mas nao tinha conseguido relaxar e simplesmente arriscar. A falta de previsibilidade do clima incomoda os ingleses profundamente. Eu nunca tinha reparado nisso ate ler um dos livros de Marcello Rollemberg, no qual ele descreve - com muito humor e ironia - o quanto o imprevisivel incomoda uma nacao que tem mania de querer exercer controle sobre tudo. Nao sei dizer se ja estou incorporando algumas das excentricidades britanicas, mas essa incerteza toda me incomoda tambem. E muito.

Sabado passado os termometros indicaram 25ºC pela primeira vez em meses e todo mundo enlouqueceu. Os estoques de carne para churrasco dos supermercados acabaram em minutos. Os parques e pracas lotaram. Consegui - finalmente! - sair para o tal piquenique.

Tem gente que descreve Cheltenham como sendo a town within a park. Nao e pra menos: os parques, jardins e avenidas daqui sao bonitos mesmo! Entre muitas opcoes, escolhi Leckhampton Hill. E uma montanha que fica ao sul da cidade e pertence a uma area chamada Cotswolds. O lugar atrai muita gente, tanto residentes quanto visitantes. Por ser uma reserva natural, tem muito o que se ver por la: animais e flores selvagens, formacoes rochosas interessantes, alem de paragliders e uns gatos pingados fazendo piquenique, como eu. Todo o local e muito bem conservado tambem. Pelo que sei, voluntarios trabalham na manutencao da reserva pelo menos duas vezes por mes.

Seguindo os
conselhos da Fernanda, "piqueniqueira"-de-mao-cheia, comprei pao, queijo, salame, salada, azeitonas recheadas, suco de frutas e agua. Como nada pode ser planejado com muita antecedencia por aqui e piqueniques sao eventos mais do que descontraidos, tive que abrir mao dos guardanapos e da toalha, o que nao foi tarefa facil. Mesmo assim sobrevivi lambendo os dedos, embora nao seja a minha pratica favorita. E nao ofereci nenhuma resistencia a ter que subir e descer do monte, mesmo estando usando escarpins! Tudo muito brega para os padroes brasileiros, mas nada alem do que e normal por aqui. Pelo jeito mantive o padrao, ao ter me bronzeado vestindo camiseta tambem. Fui passear no calcadao no dia seguinte e pude perceber nao ter sido a unica. Ufa!

Neste mesmo dia jantei churrasco. Eu e a cidade inteira, a julgar pela quantidade de fumaca que eu conseguia ver de onde estava, sentada no quintal de casa. O primeiro desde que cheguei, diga-se de passagem. Churrasco aqui - sem contar hamburgueres e salsichas, claro - significa espetinhos de carneiro, sobrecoxas de frango, files de peixe e vinho branco. Nada proximo de cerveja geladissima e picanha mal-passada as quais estamos acostumados. Fazer o que, ne? Nao se pode ter tudo :)

Os dias continuam ensolarados e, pelo que tudo indica, teremos uma boa semana pela frente. Nada para se animar, claro. Para infelicidade geral da nacao - quase parafraseando Dom Pedro I no Dia do Fico - o tempo, meus caros, ninguem controla. Nem o mais conservador dos britanicos!

Um beijao. Estava com saudades!
Juliana.

25 fevereiro 2006

Coisa de crianca

*Este Post foi publicado originalmente no o.quindim.

Faz dias que tenho exaurido meu cerebro procurando a origem da minha paixao pela gastronomia, mas nao tenho tido sucesso: boas lembrancas me vem a memoria, mas nao tenho conseguido precisar o exato momento de quando a minha apatia deu lugar a todo esse encanto, que me faz cravar os olhos dentro da cozinha de um restaurante quando algum garcom descuidado esquece a porta aberta.

Ja e seculo 21 e uma das minhas avos ainda cozinha em fogao a lenha. Ela e neta de italianos e, embora nunca tenha tirado o pe do Brasil e tambem tenha um fogao a gas na cozinha, ainda conserva algumas caracteristicas bem marcantes no que diz respeito a culinaria: faz polenta no tacho, pao caseiro, usa ingredientes sazonais (todos vindos do quintal enorme que ela tem em casa), da preferencia a cardapios tradicionais ao inves daqueles cheios de novidades e iguarias da moda. Uma maluquice, a julgar pelo tanto que temos evoluido nos ultimos anos, quando se fala de de gastronomia ou mesmo de cozinha regional.

Ao contrario de todas as avos que conheco, nunca teve na cozinha os seus melhores predicados. E cheia de boas intencoes, mas tem coisas que prepara que nao consigo provar nem com reza braba, mesmo sendo super curiosa com relacao a comida. Lembro de uma vez - quando ainda era crianca - quando tive que fazer um sacrificio para experimentar cascas de batatas fritas, e de tentar encontrar alguma similaridade entre as tais cascas com as proprias batatas. Foi impossivel, aquilo pra mim eram cascas e pronto. E olha que sou pouco exigente com batatas fritas, ja que nem sou fa. Com certeza nao foi dai que herdei o paladar refinado. Mas foi na horta e pomar sempre bem conservados que aprendi a colher cenouras e rabanetes, a identificar um pe de alecrim entre os de salvia, a apanhar morangos e figos, a diferenciar aracas de guabirobas. Ja comi cereja e ervilha torta colhidos no mesmo instante. Ja fritei ovos recem-postos. E a minha infancia inteira foi assim: entre pes de tomate e o galinheiro, entre a serraria (de onde vinha a lenha que abastecia o fogao) e massas de pao.

A primeira comida que aprendi a fazer sozinha foi arroz branco. Eu cozinhava o tal arroz para acompanhar um frango xadrez que o meu pai preparava, quando tambem comecou a se aventurar na cozinha, muito antes de ser o gastronomo que e hoje. Foi ai, tambem, que ganhei meu primeiro livro de culinaria. Lembro que, mesmo sendo crianca, achei meio simples demais: pra quem ja aprontava comida fresquinha, preparada no fogao, os sanduiches de atum pareciam muito pouco desafiadores. Naquela epoca eu so tinha sete anos de idade, nos dois evoluimos muito desde entao. O frango xadrez ainda da o ar da graca de vez em quando. Mas eu ja fui "promovida" ha muito tempo: tenho outras responsabilidades - como preparar a entrada ou a sobremesa - em vez de apenas tomar conta do tal arroz.

Desde aquela epoca meu interesse pelo mundo da cozinha so cresceu. Nao me contento mais em preparar um prato sem conhecer um pouco sobre a historia dos alimentos, sobre a origem de cada uma das iguarias que constituem a refeicao. Embora tenha dezenas de livros de culinaria, continuo abastecendo a minha biblioteca com compras impulsivas. Leio revistas que tem como publico-alvo donos de restaurante, bibliografias de cozinheiros, flogs escritos por outros gastronomos caprichosos. Sou criteriosa ao escolher um lugar pra comer. Nao como nada que seja sofrivel ou insosso. E por ai vai.

E foi assim. Desde ajudar a ajudar a escolher feijao ate fazer massa de talharim em casa, fui, aos poucos, me apaixonando. Nao sei dizer quando isso aconteceu exatamente, mas nao me importo. Ja sou bem feliz assim!

Juliana.

12 dezembro 2005

Tudo tem estado meio cinza

Acho que o tempo frio fez efeito. Sou super-fa de temperaturas baixas, ja que a maioria das pessoas parece mais elegante por vestir preto e nao deixar barrigas a mostra. Mas tambem sou fa de companhia: detesto ficar sozinha e adoro estar rodeada por pessoas legais. Coisa que ainda nao consegui fazer por aqui. Admito que tenho andando meio deprimida. Coisa de hormonios, logo passa.

Foi o primeiro final de semana em que nao trabalhei desde que cheguei. Como ainda nao estabeleci nenhuma rotina para os meus sabados e domingos, tenho tentado sair para passear a pe e conhecer a cidade o maximo possivel. Embora me canse muito, o saldo acaba sendo sempre positivo: semana passada, durante uma dessas andancas, encontrei um salao de beleza que faz depilacao brasileira (alem da manicure e pedicure tradicionais, obviamente). Fiquei tao feliz que valeu o meu dia. Isso e o casaco que comprei numa ponta de estoque, claro.

Falando nisso, vejam como sao as coisas. Cheltenham e uma cidade muito bonita e rica. Muita gente vem morar aqui depois que se aposenta. Nao ha boas lojas de grandes redes, mas, em compensacao, o centro da cidade e cheio de boutiques chiques e caresimas, daquelas que vemos na VOGUE. O mercado foi perfeitamente planejado para atingir todas as pessoas bonitas, ricas e aposentadas, e nao os pobres e assalariados, como eu. Sendo assim, ninguem e muito chegado numa liquidacao, totalmente diferente do que estamos acostumados a ver no Brasil. Bom pra mim. Ruim pra eles.

A temperatura tem variado entre -2 e 10ºC, mas a sensacao termica e de mais frio, porque tem chovido e ventado muito. Fui obrigada a comprar outra sombrinha (na mesma ponta de estoque do casaco). Minha bolsa nao tem espaco para comportar tantas novidades: mapa da cidade, par de luvas, creme para as maos, camera digital, passaporte, a tal sombrinha nova e mais toda a papelada que tenho que ficar carregando pra provar que estou legalmente no pais.

Ah, minha carteira de motorista provisoria chegou. Digo provisoria porque ainda nao posso dirigir sozinha, so acompanhada de instrutor capacitado. Alem de ser obrigada a colar aquelas plaquinhas horrorosas na frente e atras do carro, para mostrar pra todo mundo que sou aprendiz. Falo de um L (de Learner) bem grande e vermelho, um fiasco. Todos ja devem ter visto.

A semana comecou bem: muito trabalho pra fazer e muitas viagens previstas, o que e bom pra sair da mesmice (embora eu nao goste muito de viajar quando nao se trata de passeio). Tambem vai ajudar que os dias passem rapido: logo sera sabado de novo, que e quando recebo muitas ligacoes e mensagens de amigos e familia, e tambem saio para passear. Estou contando os dias!

Mil beijos, estou com saudades!
Juliana.

PS Esqueci de comentar que, alem de passar roupa, tenho costurado um monte. Tudo que eu tenho resolveu descosturar: meu penal novo, minha bolsa nova, meu casaco novo... Haja paciencia!

27 novembro 2005

Semi-adaptada

Me atrasei, eu sei. Juro que tentei manter a atualizacao do Blog como parte da minha rotina, mas foi impossivel. Desde que passei o final de semana na praia (para me despedir do mar pessoalmente, eu nao poderia ter deixado para segundo plano!) minha vida tem estado enlouquecida. Meu visto de permanencia saiu naquela mesma semana, meu apartamento e carro foram vendidos, nunca frequentei tantos consultorios medicos e saloes de beleza num periodo tao curto. A mudanca de pais realmente me tomou muito tempo. Tanto que sai sem me despedir de muita gente.

Deixei o Brasil tranquila. Todas as minhas pendencias - com excecao de algumas bem burocraticas que envolvem o governo brasileiro - foram resolvidas. Tudo bem, nada que eu nao possa esclarecer daqui, com mais calma. O mais importante foi que eu consegui me despedir todas as pessoas que amo antes de vir embora: em almocos informais, jantares super especiais, barzinhos, cafes, em uma feijoada m-a-r-v-i-l-h-o-s-a num sabado na hora do almoco, em uma roda de chimarrao em pleno aeroporto de Guarulhos. Quer coisa mais brasileira do que isso? Poder abracar com carinho e dizer que vai sentir saudades? Amei!

A viagem foi, literalmente, turbulenta. A tripulacao parecia estar esgotada: todos muito mau-humorados, tudo parecia ser um sacrificio. Pra ajudar, meu vizinho de assento era fumante e tinha cheiro de cinzeiro. E ainda fiquei sentada perto da copa, onde a movimentacao e ininterrupta durante o voo. Ou seja: nao dormi nada.

Minha primeira semana aqui foi uma loucura. Passei a maior parte do tempo preenchendo formularios e me registrando em algum lugar: no escritorio de imigracao, no banco, na operadora de telefone movel, na biblioteca, no "medico de familia", na agencia de transito (sim, vou dirigir!), na escola de ingles, no seguro social, e por ai vai. Muito chato, mas absolutamente necessario. Fazer o que.

Tanto o trabalho quanto a acomodacao tem correspondido perfeitamente as expectativas, mas ainda prefiro me preservar e nao registrar nenhuma opiniao a respeito. Como tendemos a ser muito receptivos as novidades, a realidade pode ficar um pouco distorcida neste caso. Quem sabe na proxima entrada.

Para quem achou que eu ia comer mal, se enganou. Para minha sorte, minha anfitria adora cozinhar, e esta sempre as voltas com livros e revistas de culinaria. Meus jantares sao sempre muito variados e bem balanceados, minha nutricionista iria adorar. Ja no almoco comemos um lanche. Aqui mesmo, no escritorio. E so sair do predio, andar um pouco e escolher entre as centenas de ofertas: tamanha variedade ate me confunde, as vezes. Mesmo assim, a partir da semana que vem vou preparar meu proprio sanduiche: os que compramos prontos sao deliciosos, mas muito caloricos e caros. Chegam a custar ate cinco vezes mais! Pra voces terem uma ideia de como servicos sao caros por aqui.

Vai depender do comportamento da minha rotina, mas tudo indica que vou poder escrever com mais frequencia. Tenho tanta informacao pra colocar aqui e ao mesmo tempo nao tenho nenhuma, realmente uma sensacao muito esquisita. Sendo assim, para nao ficar perdida, comprei uma caderneta onde anoto tudo que vem a cabeca: detalhes das minhas idas ao supermercado, das minhas andancas pelo centro da cidade, dos habitos de dentro de casa. Vamos ver se, com toda essa iniciativa, consigo preparar um material de qualidade para voces!

Beijo grande, fiquem bem!
Juliana.

03 novembro 2005

Alta fidelidade

Quem leu o livro Alta Fidelidade, escrito por Nick Hornby, ou viu o filme de mesmo nome, dirigido por Stephen Frears, sabe bem do que estou falando. Rob Gordon (vivido por John Cusack, que está realmente divertido no papel!), um trintão dono de uma loja de discos de vinil, escreve listas compulsivamente: ele faz o top five de tudo, até dos seus piores fins de relacionamento - hehe!

Não cheguei a esse ponto, mas quase: tenho tido sempre papel e caneta à mão, para anotar tudo que me vem à cabeça. Coisas para comprar, lugares pra ir, aniversários para lembrar. Tudo isso devidamente rabiscado em algum lugar. Mesmo que seja minha própria mão esquerda. Aquela coisa adolescente de não anotar nada e fazer um esforço supremo para lembrar depois não funciona mais. Acho que depois que completamos trinta anos e podemos ser chamadas de "balzaquianas" o nosso cérebro fica mais seletivo naturalmente: não só para filtrar quem merece fazer parte da nossa vida (que é o básico da maturidade, todas as revistas femininas menos conservadoras dizem isso!), mas para tudo que é banal e fútil também. Há quatro semanas estive em São Paulo e lembrei de algo inútil para fazer, coisa que achei que nem valeria a pena anotar porque seria fácil de "resgatar" depois. Obviamente não tinha a mínima idéia do que era passadas algumas horas. Hoje, muitas quartas-feiras depois, lembrei do que deveria ter feito: comprado Mentex. Bem, ainda dá tempo...

Pra ajudar, estou "meio" doente: tenho tossido horrores, e tudo que tenho feito pra melhorar parece não adiantar nada! Já foram dois vidros de xarope, uma caixa de pastilhas, muitos chás diferentes. Ainda não apelei pra reza braba, mas estou quase. Como meu otorrinolaringologista preferido é meu melhor amigo e tem acesso ao meu Blog, tenho que confessar (antes que ele deixe um comentário mal-criado aí embaixo!) que não fiz exatamente tudo o que me receitou: ficar em repouso tem sido impossível! Sério, bem que tenho tentado!

Minha passagem já foi marcada para daqui a onze dias, mas o Consulado - apesar de já ter descontado o cheque que paga a análise da minha papelada - ainda não se manifestou de nenhuma maneira, nem contra nem a favor da minha permanência no Reino Unido. Mesmo assim, minhas malas já estão abertas na sala de jantar. Sem nada dentro (de vez em quando um gato metido, apenas), ainda. Afinal, não terminei minhas listas!

Beijos, espero ter novidades na próxima entrada! Nem que seja pra dizer que, finalmente, comprei uma caixa de Mentex!
Juliana.

PS Se esse texto tivesse trilha sonora, seria "Bette Davis Eyes" de Donna Weiss e Jackie DeShannon.

24 outubro 2005

Não é tão fácil quanto parece!

Comecei mal. Como adoro escrever, achei que atualizar o Blog seria tarefa fácil. Definitivamente não é.

Teoricamente já é segunda-feira e aqui estou eu, meio sem paciência, sentada em frente ao PC, encarando a pilha de revistas que estão por ler. Não paro de pensar em como era possível eu trabalhar doze horas diariamente e ao mesmo tempo manter minha contabilidade em dia, lembrar de todos os aniversários, ler as revistas e jornais que estavam ao meu alcance, nadar três vezes por semana, cozinhar pelo menos aos domingos, cultivar os meu amigos queridos. Acho que desaprendi a fazer tanta coisa ao mesmo tempo. Tenho tido a impressão de que não tenho mais tempo pra nada.

No começo da semana recebi a permissão de trabalho pelo correio. A partir dela descobri que a burocracia toda ainda não terminou: tenho que entrar em contato com o Consulado Britânico no Rio de Janeiro para solicitar o visto que me permitirá residir em território inglês durante os dois anos em que a permissão for válida, ou seja, em 2007 lá estarei eu correndo com toda a papelada outra vez. E respondendo - de novo - que nunca fui deportada, não tenho antecedentes criminais, não apoio atos de terrorismo, não faço parte de nenhuma organização terrorista e nunca matei ninguém. Será que alguém responde "Yes" nessas questões?

Amanhã meu dia começará cedo, mas por outro motivo: minha melhor amiga está no Brasil outra vez, depois de um ano sem aparecer por aqui. Está nas minhas prioridades organizar os papéis para enviar à Embaixada, mas também está o almoço que marquei com ela. Porque amigo, como escreveu Vinicius de Moraes, é um ser que a vida não explica. E nada melhor para a saúde que um amor correspondido, não é?

Love you!
Juliana.

16 outubro 2005

Julianinha na Blogland!

Pra quem achou que nunca se renderia ao mundo dos espaços virtuais, comecei bem: além de um Blog, ainda tenho o direito de encher o Meu Espaço com listas, fotos, arquivos e qualquer outra coisa que colabore com a invasão da minha privacidade. Pra quem é reservada como eu, essa coisa toda ainda soa meio esquisita. Um dia, quem sabe, eu me acostume.

Depois de conversar com quem tem um e de me certificar que estes espaços não são um lugar onde todo mundo manda e faz o que bem entende, finalmente assumi que manter um Blog atualizado é a melhor maneira de permanecer conectada ao hemisfério sul enquanto estiver morando a 8.780 quilômetros do Brasil. Me senti menos desconfortável quando descobri que posso ter controle sobre qualquer acesso externo ao Meu Espaço, ou seja, se vocês estão lendo isso fazem parte da minha lista de permissões. Ufa, hein?

Sempre tive certeza de que tenho um pé dentro das ciências humanas, embora tenha optado por fazer carreira em áreas absolutamente cartesianas. Ainda pequena brincava com as máquinas de escrever do meu pai, era a melhor aluna de Redação, estudava piano, escutava música clássica, ia a concertos, lia muito. E desde sempre - sempre mesmo! - adoro me expressar escrevendo. Tanto que, depois de tantos anos de negação, resolvi assumir publicamente que me graduar em Direito está dentro do meu plano de carreira. Acreditem se quiserem.

Sendo assim, escrever semanalmente num Blog não parece ser tão difícil. E nada melhor do que começar bem agora, com essa "virada": minha permissão de trabalho no Reino Unido saiu na semana passada e agora, mais do que nunca, cada dia que passa é um a menos aqui no país tropical!

Um beijo grande e fiquem com Deus!
Juliana.