Eu e o Matthieu nunca fizemos questão de anunciar aos quatro ventos que, por ventura, poderíamos aparecer grávidos de um dia para o outro. Também nunca escondemos de ninguém que estávamos engajados no tal "projeto". Tudo aconteceu meio rápido demais e quase que por acaso: acho que posso afirmar que subestimamos nós mesmos!
Well, well. Nada de que a gente não dê conta. ;)
Quem me conhece bem, sabe que eu dificilmente encaro projetos incertos, que nunca jogo pra perder e que "arriscar" é uma palavra que está praticamente fora do meu vocabulário. Pé no chão que sou, foi realmente muito difícil aceitar que já quase passei da idade de ter o primeiro filho, e que talvez o futuro não vá ser exatamente como eu tinha planejado na infância. Naquela época, eu imaginava que no ano dois mil, então com vinte e cinco anos, eu seria casada e já teria um casal de filhos lá pelos quatro anos de idade. Bem. No ano dois mil, eu ainda nem pensava em casar. O que aconteceu depois disso, todo mundo sabe.
Comecei a desconfiar da gravidez lá pela quarta semana, depois de ter passado por uma ecografia de rotina uma semana antes. Ainda durante a consulta, o médico se engajou numa conversa estranhíssima comigo, onde literalmente disse que eu não estava grávida. Sei lá porque ele tocou no assunto. Eu estava lá pra checar outras coisas, não isso. De qualquer maneira, lembrar da cena me faz rir até hoje.
Invoquei com a possibilidade de ser gestante nos meus últimos dias de férias no Brasil, mas acabei esquecendo o assunto e nem comentei com o Matthieu. Depois disso, ainda fiquei curtindo a idéia por mais umas duas semanas, quando, finalmente, não me agüentei e passei na farmácia. É engraçado como somos criados pra nos encabular em algumas situações corriqueiras, como, por exemplo, comprar um teste de gravidez. Puxa vida, eu tenho trinta e seis anos, sou casada, lavo minha próprias calcinhas e não devo nada a ninguém. Mesmo assim, levei um tempo enorme pra conseguir encarar a balconista, e quase morri quando ela me mostrou vários tipos de testes, pedindo pra eu escolher um. Acabei deixando ela mesma escolher: a situação já estava ficando demasiadamente constrangedora pra mim.
Depois de fazer xixi no tubinho - torcendo pra que desse positivo - e de ver o resultado, um turbilhão de perguntas sem respostas invadiu a minha cabeça. Fiquei uns belos minutos andando em círculos pela casa, tentando solucionar todas elas. A cada volta completa em cima do tapete, mais e mais respostas. Sendo assim, fui dormir despreocupada, já que na minha cabecinha cartesiana tudo estava sob controle. Outros dois testes e dois dias depois, contei para o Matthieu, que levou bem mais de dois dias pra acreditar em mim. :)
O primeiro trimestre de gestação foi super tranqüilo, nem parecia que eu estava grávida. Não tive um enjoozinho sequer. Na verdade, da lista de sintomas que aterrorizam o período, tive poucos: pele seca, mau-humor, um pouco de insônia, e o infalível xixizinho da madrugada. Este último, diga-se de passagem, absolutamente irritante. Como só faz uma semana que entrei no segundo trimestre, posso garantir que quase nada mudou. Com exceção da minha cintura, que sumiu.
Eu tenho lido muito sobre gravidez, e buscado informação em diversas fontes. Como aqui na Europa tudo é muito diferente do Brasil, dei preferência aos livros escritos e recomendados por americanos. Mas, para não ficar tão por fora do que acontece por aqui (ainda mais porque o bebê deve nascer na França), também comprei edições das versões inglesas de dois livros escritos por uma australiana, que até agora são os meus preferidos. Confesso que conselhos de quem cuidou de bebês há milhares de anos não são muito bem vindos: tudo mudou muito, minha gente, e aquele chazinho da vovó pode não ser mais tão inofensivo quanto antes!
Por enquanto, tudo está indo muito-bem-obrigada. Chato mesmo é ficar longe de todos, quando se tem tanta novidade pra contar!
Beijos!
Juliana.