24 agosto 2011

Only 31 days to go!

[Detalhes do quarto do bebê]
Depois de entrar(mos) no oitavo mês de gestação e de muito trabalho, estamos prontos!

Juliana.

01 agosto 2011

Sete meses e uma semana

[Tamanho do bebê na semana 32]
O bebê já tem aproximadamente um quilo e setecentos gramas, e mede mais de quarenta e dois centímetros!

Juliana.

28 junho 2011

Vive la France!

Parece glamouroso para quem nunca fez, mas mudar de país não tem nada de divertido. Em uma semana lá vou eu de novo, desta vez com destino à França, por tempo quase indeterminado. Teoricamente (t-e-o-r-i-c-a-m-e-n-t-e!) devo voltar à Noruega em meados de junho do ano que vem - ou quem sabe setembro! - quando a licença maternidade acaba. Na Noruega, a licença maternidade é de até treze meses: dez para a mãe e mais três para o pai (obrigatórios, viu, rapazes, aqui não tem como escapar daquela fralda cheia de cocô!). Como o Matthieu não mora, não paga impostos, ou seja, não tem nenhum benefício aqui na Noruega, a licença à qual ele teria direito pode, eventualmente, passar para mim.

Na verdade, tudo depende da veneta de quem vai lidar com a minha papelada lá no "INSS" da Noruega. Ah, sim, porque aqui não tem nada escrito em lugar nenhum. Quando se vai a qualquer escritório do governo norueguês, se recebe o mínimo de instruções necessárias sobre o que fazer exatamente. Sendo assim, todos ficam à mercê da pessoa com a qual estão lidando no momento. Já aconteceu de eu ir várias vezes no mesmo lugar e ser atendida por pessoas diferentes, o que resultou em eu ter que adaptar meu processo do que quer que seja à interpretação daquela pessoa sobre a "lei" norueguesa. Tenho plena consciência de que na França não vai der diferente, então digamos que estou fazendo um "aquecimento" aqui na terra do Papai Noel. Me adaptar num outro país do Velho Mundo vai ser mais um empenho, mas nada que não dê pra encarar. Morei na Inglaterra por dois anos e cinco meses, e estou quase completando três anos e três meses de Noruega. Já são quase seis anos fora do Brasil que, sinceramente, passaram voando.

Eu, particularmente, levo um certo tempo para me acomodar. Entre o primeiro e segundo anos que sucedem a mudança de um lugar ao outro, perco muito tempo tentando esmiuçar as diferenças culturais entre o Brasil e o país onde estou vivendo no momento, planejando como posso adaptá-las ao que estou acostumada, ou como faço para entrar em harmonia com elas. Leva tempo. É impossível entender a complexidade cultural enraizada em qualquer lugar fazendo bico na lanchonete da esquina ou passando férias de verão, nem que seja todo ano. Acho muito banal quando escuto um discurso desse tipo, onde o fulano acha que morou não-sei-onde porque já esteve lá trezentas vezes. Pra mim, se nunca pagou impostos no tal lugar, nunca morou lá. Não tem jeito melhor de conhecer qualquer sistema do que se submeter à ele.

A França tem a vantagem de ser o país de origem do Matthieu que, embora não esteja acostumado a vê-la do ponto de vista de um imigrante, pelo menos consegue antecipar alguma coisa que possa me aborrecer. A desvantagem é que, além do exercício diário que é tentar entender porque os franceses compram baguetes e carregam as ditas cujas debaixo do braço, sem cerimônia, ainda tenho que me adaptar à diferenças culturais dentro de casa. Imagino que, para que eu viva em paz na França, deva levar menos tempo do que na Inglaterra e Noruega. Em compensação, deve ser mais doloroso, já que existe a pressão de eu não ter a opção de não me adaptar, por fazer parte de uma família bi-cultural.

Esta vai ser a primeira vez que me mudo de país por uma questão pessoal - e não profissional -, o que me impede de questionar demais. Quem me conhece um pouco sabe que uma situação como essa deixa o meu lado latino em polvorosa! Além disso, os franceses (dependendo da região) são fechados, reservados, meio machistas, não muito amigáveis e extremamente intolerantes com estrangeiros e imigrantes. Tenho plena consciência de que vai ser difícil controlar o sangue quente (e também os hormônios, durante os próximos três meses), mas nada que trezentas aulas de ioga não resolvam. Tive que fazer o mesmo exercício tanto na Terra na Rainha quanto aqui em Vikingland, e continuo firme, forte e respirando até hoje! ;)


["La Liberté guidant le peuple", Eugène Delacroix]

Como every cloud has a silver lining, estou extremamente confiante e contando os dias para fugir do verão escandinavo, cuja média de temperatura no mês de julho não ultrapassa os dezoito graus Celsius. França, aqui vou eu. Sem preconceitos, mas levando uma sacolinha para carregar a minha própria baguete, claro! ;)

Mil beijos!
Juliana.

08 maio 2011

It's a boy!


Juliana.


20 abril 2011

Lille, França, 10/07/10

Ao sincronizar meu iPhone hoje de manhã, dei de cara com esta foto. It made me smile! :)


Photographer: Juliana Wiklund
http://destinationweddingphotography.se/


Juliana.

16 abril 2011

12 abril 2011

Nada de estereótipos, por favor!

Desde que me mudei para a Europa, há cinco anos e meio, sou freqüentemente lembrada, sempre com muito desgosto, de que venho de um país em desenvolvimento, e que meu sangue não é tão azul como os felizardos que nasceram em países desenvolvidos. O tipo de abordagem depende do interlocutor, obviamente, mas a mensagem é quase sempre a mesma: a de que sou proveniente de um lugar nada sério, como Charles de Gaulle descreveu uma vez.

Tudo começou em 2005, quando emigrei para a Inglaterra. Ali mesmo, na imigração, tive que me submeter a uma radiografia dos pulmões, para provar que não tinha tuberculose, e daí sim poder entrar no país e ficar. O curioso é que, em Portugal, membro da União Européia, a taxa incidência da doença é tão grande quanto no Brasil, mas nenhum português precisa fazer o mesmo teste. Já a Inglaterra, onde uma nova vacina está sendo testada, apresentou um aumento de 25% nos casos de tuberculose nos últimos dez anos. A magnitude da doença é mundial, mas não adianta: alguém tem que pagar o pato. E que sejamos nós, os "pobrezinhos" do Terceiro Mundo.

Os campeões de encheção de saco são as companhias aéreas. Quando fui à Itália, em 2009, quase não consegui embarcar de volta para a Noruega porque a funcionária da SAS achou que eu deveria voltar ao Brasil, e não continuar na Europa. Na última vez que fui à Inglaterra, em 2010, quase não consegui embarcar, porque a mocinha da British Airways não se convenceu ao ver minha passagem de volta para a Noruega a partir da França, voando SAS. Cada vez que volto da França e despacho minha bagagem, as atendentes da SAS me questionam sobre o que venho fazer na Noruega e se tenho visto para entrar aqui, mesmo não sendo obrigada a ter um se o meu objetivo for apenas visitar.

Nos guichês de imigração, quase tudo igual. Mesmo tendo vivido dois anos e meio na Inglaterra, só entro no país se tiver uma carta-convite assinada por alguém que mora legalmente lá. Na França, uma amiga minha foi ridicularizada quando viajava com o namorado europeu. Quando viajei aos Estados Unidos a trabalho no ano passado, mesmo já tendo entrado e saído do país como turista em 1995, tendo comigo meu passaporte brasileiro com um visto americano e dois vistos europeus válidos, mais uma carta do meu empregador explicando o motivo da minha viagem, detalhando o itinerário e informando meu salário anual, fiquei mais de uma hora presa numa sala com mais um bando de viajantes. Só fui liberada depois de ser entrevistada por um policial, que pareceu me fazer um favor ao me deixar entrar no país.

Aqui na Noruega, quase tudo se repete. Tive que fazer a mesma radiografia dos pulmões quando cheguei em 2008. Ainda não tive nenhum incidente com a imigração, até porque moro e trabalho aqui e tenho visto de residência no país. Mas foi ao me cadastrar como doadora de sangue no país que veio a maior surpresa: por ser brasileira, não sou qualificada para doar sangue. E tampouco qualificada para o "SUS norueguês" me ajudar, se alguma coisa acontecer comigo enquanto estiver viajando pela Europa, como acontece para todo e qualquer imigrante de outro país da comunidade, que trabalha e paga impostos na Noruega tanto quanto eu.

A ignorância e arrogância também atinge pessoas que convivem comigo, o que me deixa mais atônita. Recentemente escutei da mesma pessoa, mais de uma vez, que venho de um país pobre e subdesenvolvido, onde pessoas morrem e são roubadas nas ruas. Ora. Que o Brasil tem problemas, todo mundo sabe. E qual país não tem os seus?



Hoje em dia, o Brasil já é a maior economia da América Latina e a décima maior do mundo. Em 2050, estará provavelmente em quarto lugar, ultrapassando países como a Alemanha, Japão e o Reino Unido, segundo um estudo da Goldman Sachs. Claramente, nós viramos a página, e somos hoje uma nação com o peso, ambição e fundamentos econômicos para se tornar uma potência mundial. Mas o país tem enormes desafios que deve superar antes de poder viver plenamente até seu potencial.

O setor público está inchado e cheio de corrupção. A criminalidade é galopante. A infra-estrutura necessita de muitos reparos e expansão. O ambiente empresarial é restrito, com uma legislação trabalhista da época do "êpa". O Brasil também tende a ficar na retaguarda, o que faz com que tenha uma imensa dificuldade em quantificar o enorme trabalho que precisa ser feito para que o país tome jeito.

Por outro lado, não podemos negar que tem muita coisa boa acontecendo no momento, e que o Brasil nunca teve tantas oportunidade quanto tem tido e terá nos próximos anos. Vai de nós saber aproveitar. E também, de saber se mostrar.

Beijocas!
Juliana-a-mom2be-orgulhosa-de-mais-um(a)-brasileirinho(a).

08 abril 2011

O mundo dos trabalhos manuais

Para orgulho da minha avó, resolvi desenterrar do passado um "novo-velho" hobby: me rendi, outra vez, aos encantos dos trabalhos manuais e decidi tentar voltar a tricotar.


Tudo começou quando descobri que nem minha mãe, nem minha sogra, são tricoteiras de plantão. As duas são habilidosas, mas cada qual tem suas preferências, que infelizmente não incluem tricô. Foi quando entrei em pânico, já que, aparentemente, parecia ser a única mãe do mundo cujo bebê não teria nem um único casaquinho! A boa notícia veio mesmo quando, depois de uma semana de caça à tricoteira, recebemos um e-mail da tia-avó do bebê, cunhada da minha sogra, se oferecendo pra nos salvar. Ufa! Isso foi o mais perto que eu e Matthieu conseguimos chegar de alguém que domina as agulhas, infelizmente.

Eu nunca tive aulas de tricô na escola. O pouco que aprendi foi com a minha avó, que também não é lá uma Brastemp na arte de criar alguma coisa a partir de um novelo de lã. Durante a minha infância, tive uma fase onde tentei me achar entre diversos trabalhos manuais, mas nunca gostei tanto de nenhuma das opções a ponto de me engajar num projeto desafiador. Achava crochê sacal e ponto-cruz meio sem sentido. Tenho quase certeza de que eu gostava de bordar telas, mas, sinceramente, não lembro nada sobre tricotar. Na verdade, eu acho que não devia gostar muito porque nunca aprendi direito, e nunca aprendi direito porque não gostava muito. Pelo que me lembro, nunca fiz nada mais do que roupas de lã para uma das minha bonecas. E só.

Eu tenho várias amigas que costuram, tricotam, crochetam, fazem ponto-cruz, enfim, quando você entra mais a fundo no assunto, descobre que o tal negócio na verdade nunca saiu de moda. O mais curioso disso tudo é a maioria vem das amigas tricoteiras vem das ciências exatas, como eu. Uma é engenharia disso, a outra engenheira daquilo. Acho que no fundo no fundo no fundo todas colocam o lado meio Ana Machadão pra escanteio quando o assunto é arts and crafts. Sei lá.

Como elas, sempre quis fazer alguma coisa, mas nunca achei tempo, tampouco disposição. Até que, dias atrás, lendo um daqueles intermináveis boletins que recebo de sites relacionados à gravidez, cliquei num link que me levou prum outro site, onde fiquei e de onde não saí mais. NOTHS, como é carinhosamente chamado por aqueles que têm preguiça de digitar o nome inteiro do site, parece ser o equivalente do Etsy, só que no velho mundo. E também a perdição da mulherada, como é de se esperar de um site desses. Os dois endereços concentram artesãos que vendem suas criações on-line, mais ou menos como se a Feirinha do Largo da Ordem tivesse uma versão eletrônica. Imaginem só aquela bala de côco deliciosa da feira, a um clique de você. Mais ou menos assim! :)

Já absorvida pelo site, depois de vasculhar dezenas de páginas, acabei caindo nuns kits de tricô para iniciantes. Coisa simples: você encomenda um kit per internet, e recebe um pacote de supermercado com tudo dentro. Desde as instruções de como tricotar, até a quantidade certinha de lã que você precisa pra fazer uma ou outra coisa, mais as agulhas, etc. Não tive como não lembrar do nosso drama recente na busca pela tricoteira, e do tempo livre que vou ter na França, quando da minha mudança em julho.

Bem. Tudo isso pra dizer que acabei comprando o tal pacote. Teoricamente, tenho que conseguir tricotar e montar um gato preto de tricô em algumas semanas. O que vai sair dali já não posso garantir. Prometo que, terminada a aventura, tiro uma foto e publico aqui!

Beijos!
Juliana.

02 abril 2011

Três meses e meio

[Tamanho do bebê na semana 15]
O bebê já tem oitenta gramas, e mede quase dez centímetros!

Juliana.

01 abril 2011

Rumo ao segundo trimestre

Eu e o Matthieu nunca fizemos questão de anunciar aos quatro ventos que, por ventura, poderíamos aparecer grávidos de um dia para o outro. Também nunca escondemos de ninguém que estávamos engajados no tal "projeto". Tudo aconteceu meio rápido demais e quase que por acaso: acho que posso afirmar que subestimamos nós mesmos! Well, well. Nada de que a gente não dê conta. ;)

Quem me conhece bem, sabe que eu dificilmente encaro projetos incertos, que nunca jogo pra perder e que "arriscar" é uma palavra que está praticamente fora do meu vocabulário. Pé no chão que sou, foi realmente muito difícil aceitar que já quase passei da idade de ter o primeiro filho, e que talvez o futuro não vá ser exatamente como eu tinha planejado na infância. Naquela época, eu imaginava que no ano dois mil, então com vinte e cinco anos, eu seria casada e já teria um casal de filhos lá pelos quatro anos de idade. Bem. No ano dois mil, eu ainda nem pensava em casar. O que aconteceu depois disso, todo mundo sabe.

Comecei a desconfiar da gravidez lá pela quarta semana, depois de ter passado por uma ecografia de rotina uma semana antes. Ainda durante a consulta, o médico se engajou numa conversa estranhíssima comigo, onde literalmente disse que eu não estava grávida. Sei lá porque ele tocou no assunto. Eu estava lá pra checar outras coisas, não isso. De qualquer maneira, lembrar da cena me faz rir até hoje.

Invoquei com a possibilidade de ser gestante nos meus últimos dias de férias no Brasil, mas acabei esquecendo o assunto e nem comentei com o Matthieu. Depois disso, ainda fiquei curtindo a idéia por mais umas duas semanas, quando, finalmente, não me agüentei e passei na farmácia. É engraçado como somos criados pra nos encabular em algumas situações corriqueiras, como, por exemplo, comprar um teste de gravidez. Puxa vida, eu tenho trinta e seis anos, sou casada, lavo minha próprias calcinhas e não devo nada a ninguém. Mesmo assim, levei um tempo enorme pra conseguir encarar a balconista, e quase morri quando ela me mostrou vários tipos de testes, pedindo pra eu escolher um. Acabei deixando ela mesma escolher: a situação já estava ficando demasiadamente constrangedora pra mim.

Depois de fazer xixi no tubinho - torcendo pra que desse positivo - e de ver o resultado, um turbilhão de perguntas sem respostas invadiu a minha cabeça. Fiquei uns belos minutos andando em círculos pela casa, tentando solucionar todas elas. A cada volta completa em cima do tapete, mais e mais respostas. Sendo assim, fui dormir despreocupada, já que na minha cabecinha cartesiana tudo estava sob controle. Outros dois testes e dois dias depois, contei para o Matthieu, que levou bem mais de dois dias pra acreditar em mim. :)

O primeiro trimestre de gestação foi super tranqüilo, nem parecia que eu estava grávida. Não tive um enjoozinho sequer. Na verdade, da lista de sintomas que aterrorizam o período, tive poucos: pele seca, mau-humor, um pouco de insônia, e o infalível xixizinho da madrugada. Este último, diga-se de passagem, absolutamente irritante. Como só faz uma semana que entrei no segundo trimestre, posso garantir que quase nada mudou. Com exceção da minha cintura, que sumiu.

Eu tenho lido muito sobre gravidez, e buscado informação em diversas fontes. Como aqui na Europa tudo é muito diferente do Brasil, dei preferência aos livros escritos e recomendados por americanos. Mas, para não ficar tão por fora do que acontece por aqui (ainda mais porque o bebê deve nascer na França), também comprei edições das versões inglesas de dois livros escritos por uma australiana, que até agora são os meus preferidos. Confesso que conselhos de quem cuidou de bebês há milhares de anos não são muito bem vindos: tudo mudou muito, minha gente, e aquele chazinho da vovó pode não ser mais tão inofensivo quanto antes!

Por enquanto, tudo está indo muito-bem-obrigada. Chato mesmo é ficar longe de todos, quando se tem tanta novidade pra contar!

Beijos!
Juliana.

10 março 2011

Mamãe, eu já sou do tamanho de um limão!

[11 semanas e 5 dias, ou dois meses e meio de gestação]
Juliana.

07 março 2011

Rest in peace



[R.I.P. , Comida Nao Entra]
 Foi bom enquanto durou.

Juliana.

06 maio 2008

A Noruega e o elefante

E a segunda vez que mudo de pais em menos de tres anos. Mesmo tendo aprendido muitas licoes, ainda estou longe de tirar de letra. Continuo repetindo muitos dos erros que cometi quando me mudei do Brasil para a Inglaterra, como, por exemplo, comprar uma coisa pensando que e outra, pegar onibus errado ou jogar lixo organico na lata destinada a reciclaveis. Acontece.

A possibilidade de vir de mala e cuia para a Noruega veio de repente. A mudanca viria, era inevitavel. So que imaginei que seria, no maximo, de volta pra casa. A proposta da mudanca para Oslo foi tentadora em todos os sentidos: a cultura e o idioma diferentes e o desafio de morar na Escandinavia – mas continuar na Europa – me ganharam. Apesar de a Inglaterra ser um pais desenvolvido, nao se compara aos padroes escandinavos: a Noruega tem a populacao 99% alfabetizada, civilizadissima, irritantemente organizada e um dos menores indices de corrupcao do mundo, o que justifica o pais ser um dos melhores lugares para se morar, segundo o Human Development Index das Nacoes Unidas.

Os noruegueses sao super patriotas. Tambem, pudera. O pais declarou sua independencia apenas em 1905. Durante as guerras Napoleonicas, a Dinamarca, que controlava a Noruega, era aliada de Napoleao. Do outro lado estavam Suecia, Gra-Bretanha e Russia. Depois de ter sido expulso da coalisao a qual pertencia, o frances Jean-Baptiste Bernadott, ex-marechal de Napoleao, foi “adotado” pela Suecia. Em 1814, ele incluiu a Noruega nas negociacoes de paz, o que fez com que o pais passasse a pertencer a Suecia, em vez da Dinamarca. Os noruegueses se revoltaram, declararam independencia, redigiram sua propria constituicao e elegeram seu rei. A liberdade durou apenas tres meses. A Suecia invadiu a Noruega, que perdeu a guerra e voltou a pertencer ao pais vizinho. 91 anos depois, a uniao foi pacificamente dissolvida e a pequena e pobre Noruega se tornou independente. No dia 17 de maio se comemora o Dia da Constituicao (Grunnlovsdag), um dos feriados mais importantes – se nao o mais – do pais.

O pais dos vikings, geleiras e leoes-marinhos tem mesmo que comemorar. Depois de ter sido novamente destruido (desta vez durante a Segunda Guerra), ser cidadao de um pais cujo PIB per capita figura entre os primeiros do mundo e mesmo coisa pra se orgulhar. Claro que a descoberta de petroleo em 1971 deu uma maozinha. Mas isso e historia pra outro texto neste mesmo Blog. :)

O meu noruegues ainda e nulo. Eu tento fixar algumas expressoes bem basicas como, por exemplo, “Jeg snakker ikke norsk (Eu nao falo noruegues)” , mas meu cerebro se recusa e sempre entro em panico quando alguem vem falar comigo. Ah sim, eles vem. E de monte. Pedir informacao, entao, nem se fala. Nao sei o que leva esse povo a pensar que, num pais onde 70% da populacao tem olhos azuis, a brasileira com cara de espanhola pode ajudar. Felizmente (quase) todo mundo e bilingue eo ingles faz parte da vida deles. Se nao fosse assim, eu estaria vivendo de pao (brød) e queijo de cabra (geitost), que sao as unicas palavras que sei falar.

Como todo tipo gastro-curioso, ja fiz varias visitas ao supermercado. Tento fazer minha lista de compras em noruegues, o que facilita um pouco. Como era de se esperar, aqui se acha peixes fresquissimos (eles tem nove tipos diferentes de bacalhau!), paes de todos os tipos e muito queijo. A surpresa fica por conta do prato nacional: pizza! A populacao tambem consome muitos salgadinhos (como batatinhas fritas, por exemplo) e o pais e um dos lideres no ranking europeu no consumo de refrigerantes e doces. Bem. Nem tudo e perfeito.

No mais, ainda estou doidona com a conversao da moeda. A Inglaterra e um pais caro, mas Oslo e a cidade mais cara do mundo e os impostos sao altissimos por aqui. Uma taca de vinho numa pizzaria de um bairro nobre da cidade chega a custar o mesmo preco que uma garrafa de vinho no Brasil. E vamos parar por aqui. Se eu contar o preco da refeicao que acompanhou o vinho, todos desistem de me visitar.

Beijos grandes.
Juliana.

21 fevereiro 2007

Que abacaxi!

Acabei de perceber que o abacaxi que comprei tem uma etiqueta que diz: "Preparation guidelines: Remove crown and outer skin whit a sharp knife. Cut away core and chop the flesh into cubes or slice into rings.". Ja comprei manga que veio com instrucoes de uso. Kiwi tambem.

Eu me divirto! :)

Juliana.

04 fevereiro 2007

Um dia que parece uma duzia

O despertador toca as 6 horas da manha no sabado. Praguejo. E praguejo de novo. E de novo. Eu nao funciono bem de manha, nao sei porque insisto em comprar a passagem das 7:30!

Penso em ficar na cama e cancelar todos os compromissos que marquei mas, como sei que sempre sou assim pela manha, ignoro a mim mesma e dou sequencia ao ritual matinal. Nem preciso dizer que estou num mau humor de cobra pisada. Meio fotofobica, meio dormindo acordada - mas ao mesmo tempo com um olho no relogio para ter certeza de que nao vou perder o onibus -, sento na cama. Me localizo no tempo e no espaco, visto meu chinelinho e solto um grunhido, efeito da aula de body pump da quarta-feira anterior em cada musculo do meu corpo. Sera o Benedito? Ja tenho duas coisas pra anotar no meu Moleskine. E olha que ainda estou no segundo paragrafo! Uma: nao compre a passagem das 7:30. Duas: nao faca aula de body pump e va correr depois.

A caminho do banheiro, torco pra nao encontrar alguem. Nao tem coisa pior pra quem nao gosta de conversar de manha do que quem levanta bem humorado. Eu detesto dar "Bom dia!" e so pego no tranco depois de copo de cafe preto la pelas 9:00. Bem, preces atendidas. Eu devo ser a unica pessoa acordada no quarteirao inteiro. Wheeeee!

Tomo meu copo de leite com Ovaltine (momento cultural: quando o Ovomaltine, produto desenvolvido na Suica, foi exportado para a Inglaterra em 1909, houve um "probleminha" no processo de registro da marca e o nome acabou ficando assim!), coloco uma barra de cereais na bolsa e saio.

Sou uma as primeiras a chegar na rodoviaria. Um porque ela fica bem pertinho daqui de casa. Outra porque essa coisa de ingles ser pontual e mentira deslavada. A sala de espera esta sempre trancada e o cenario e sempre o mesmo: eu do lado de fora - quase sempre azeda e congelando - e uma dezena de cadeiras plasticas verdes vazias, repousando no quentinho, parecendo arquibancada de jogo da segunda divisao do Brasileirao. Geez, sala de espera pra quem esperar o que?

Fico me ensaiando pra ir ate a esquina comprar um cafe com leite take-away, mas nao vou. Eu nunca sou a primeira a entrar no onibus nem mesmo quando chego antes de todos os outros passageiros, imaginem se resolver atravessar a rua e voltar depois. Capaz de ir sentada na frente do banheiro ou ao lado do motorista. Ou na frente de uma velhinha. Isso sim e de matar!

Deusquemeperdoe, mas todas as experiencias que tive ate hoje com velhinhas, velhinhos e afins foram pessimas. Tirando a de um espanhol - que ficou reclamando a viagem inteira que o meu banco reclinado estava apertando o joelho dele -, as velhinhas tem roubado a cena em todas as minhas viagens de ida e volta a Londres. Elas tem os direitos delas, eu sei, mas viajar com a bagagem no colo e demais.

Desta vez e um casal. Tamanho o trauma, eu olho varias vezes antes de reclinar meu banco, pra nao acontecer de amassar a pera, o suco, o jornal, o que for. Abaixo devagar, camera lenta mesmo. Bastou eu errar na mao e o encosto rocar no joelho da dita cuja, soa o alarme: "Ela, ela, foi ela!". Ninguem sossega enquanto eu nao apago o fogo, digo, enquanto nao levanto o banco para a posicao mais ereta possivel. Eu, parecendo que estou numa aula de ioga. Eles, abracados na mala, nos sanduiches e nos livros, bem confortaveis. Sempre.

E la se vao duas longas horas. Pelo menos consigo ler meu livro, ja que, por alguma razao qualquer, nao enjoo nos onibus daqui. Nao consigo me concentrar porque a velhinha nao para de falar. Ja sei o nome de todos os vizinhos e das amigas dela. Ah, e do filho tambem. Tambem sei que ele nao gosta de pepino na salada.

Chego em Londres, aquela correria. Passo por todos os pontos cardeais da cidade em menos de oito horas. Pego um onibus, desco na frente de uma mercearia portuguesa para comprar goiabada. Compro um Sonho de Valsa tambem, porque nao sou de ferro. Como ali mesmo - de pe ao lado do balcao -, enquanto o bando de brasileiros que esta comendo coxinha na mesa ao lado nao para de falar mal da vida que levam aqui. Meu bombom esta vencido, sem gosto, um lixo. Tenho que anotar no Moleskine: "compre Sonho de Valsa so se nao for a granel".

Pego outro onibus no sentido contrario do anterior e desco em Oxford Street - a Oscar Freire londrina - para encontrar uma amiga que vai almocar comigo. Estou uma hora atrasada. Ja sao 4:00, ainda nao almocei e meu onibus sai do outro lado da cidade em uma hora e meia. Entramos correndo no restaurante, conversamos correndo, almocamos correndo, tomamos cafe correndo, saimos correndo e aqui estou eu - como em todas as vezes em que faco essa estupidez de vir a Londres por algumas horas -, ridicula, correndo em Oxford Street carregando duas sacolas (c-l-a-r-o que nao comprei so goiabada!) azuis que mais parecem sacos de lixo. Minha amiga ficou pra tras, pelo menos se livrou do papelao. Eu tenho que rir de mim mesma. Antes dela, outros dois fizeram isso. Todos sairam, literalmente, correndo junto comigo pra poder se despedir e garantir que eu nao perdesse o transporte de volta pra casa!

Sas e salvos, mal chegamos (eu, a goiabada e everyhing else) na rodoviaria e o onibus 412 e anunciado no alto-falante. Entro - ainda ofegante - e tenho uma sensacao de deja vu. Vejo muitas velhinhas e velhinhos sentados, espalhados pelo interior do onibus. Todos abracados na mala, nos sanduiches e nos livros, bem confortaveis. Sempre.

Beijao!
Juliana.

26 janeiro 2007

Adeus, Casalina!

[Armario desorganizado da Casalina]

Aqui na Inglaterra e assim. Todas as casas sao numeradas e algumas sao nomeadas. Essa coisa de se dar nomes as casas comecou ha muito tempo - quando os ricos comecaram a querer diferenciar suas propriedades das dos outros - e continuou com o passar dos anos. Hoje em dia, ate o proletariado tem casas com nomes e numeros. A coisa toda ja nao e mais um privilegio so da burguesia inglesa. Faz tempo.
Parece brincadeira, mas nao e. Como ingles adora uma competicaozinha e parece ter diponibilidade pra todas essas bobagens, como nomear o jardim mais bonito, o cidadao mais patriota, a cenoura mais comprida cultivada em estufa (eu vi a tal cenoura numa feira agropecuaria no ano passado!), o diabo a quatro, claro que existe um ranking com os cinquenta nomes de casas mais populares por aqui. Liderando, esta o The Cottage ou A Casa de Campo, meio que querendo traduzir o que nao se traduz. Por ultimo, Oaklands. A casa onde eu morava - a das costeletas! - se chama Casalina. Pelo que sei, e o nome de uma vilazinha em algum lugar da Italia.
Como tudo por aqui, segue um padrao. Os nomes das casas sao inspirados em lugares, historia local, literatura e lendas. Fica ate divertido escrever o endereco do destinatario de correspondencias aqui no Reino Unido. Para Fulano de Tal, Celeiro da Andorinha (ou Os Salgueiros ou Vista do Prado ou Casa do Moinho ou O Ninho), Rua Tal, etc.
Casalina tinha numero tambem: dezesseis. Nunca usei o nome, mas tive oportunidades e achei melhor nao arriscar. Sempre preferi o modelo convencional - com numeros - adotado em 1765. Ja e dificil encontrar a tal casa procurando pelo numero, porque o quatorze fica do lado esquerdo da rua, fugindo a regra de que os numeros pares devem ficar do lado direito de quem esta de costas para o centro da cidade e, naturalmente, ao lado do dezesseis. Imaginem so o empenho do carteiro em encontrar a Casalina, que fica “logo ali”, ao lado do Pulo dos Esquilos.
Falar sobre rankings me fez lembrar um negocio curioso. Por aqui as competicoes tem os vencedores, os segundos colocados, os trabalhos - ou o que quer que seja - que valem a pena ser vistos e os que foram muito comentados. Perdedores voce nao encontra em lugar algum. Na semana passada estive em Bristol, visitando uma exposicao de fotografias sobre Vida Selvagem no Museu e Galeria de Arte da cidade, e nao consegui achar alguma que nao estivesse classificada numa daquelas categorias. Meio patetico, ate.
No mais, morar na nova casa tem sido bom. Esta nao tem nome, por ser uma townhouse. Neste caso, se nomeia o conjunto todo, como se, em vez de colocar o numero do condomínio, se colocasse o nome dele. Nada como O Pomar, mas ainda assim esquisito.
Faz cinco meses que deixei a Casalina, nunca mais voltei la e nem quero. Estou muito bem, obrigada, aqui onde estou. Minha casa e novinha em folha, bem iluminada, bem ventilada, bem localizada. Minha geladeira e limpinha, meu fogao tambem. Os vizinhos sao legais. O cinema e logo ali. E ninguem faz costeletas de porco pro jantar. Daqui eu nao saio, daqui ninguem me tira :)
Um beijao. Adorei estar de volta!
Juliana.

30 junho 2006

Abaixo as costeletas!

Que venha o verao! Dezessete horas de insolacao por dia. Sol a pino. Temperaturas em torno de trinta graus. Brisa. Agua mineral. Muita gente nas ruas, nos parques e nas pracas. Pernocas, pancas e pes de fora. Tempo de sobra pra praticar esportes. E costeletas de porco com barbecue sauce pra jantar. Ninguem merece. Ninguem mesmo.

Aqui e assim. Muita gente se exercita pouco. Pouca gente pratica muito exercicio. A equipe de triatlo da cidade corre e nada com menos frequencia do que eu, pra voces terem uma ideia. Os maratonistas treinam duas vezes por semana, apenas. E pode apostar que a maioria deles simpatiza com todas as frituras e gorduras que sao comidas com frequencia por aqui. Uma pena.

Hoje em dia, gracas a alguns health-conscious britanicos, o tradicional cafe da manha ingles tem sido substituido por refeicoes mais leves, como cereal matinal e torradas, por exemplo. Embora ainda represente uma parcela importante no conceito ingles de refeicao matutina, alguns britons tem encarado os fry-ups como sendo uma refeicao esporadica, que aparece vez ou outra nos cardapios das residencias durante os fins de semana. Se o cafe da manha for acompanhado de suco de laranja e cha ou cafe em abundancia, ou mesmo se for composto apenas de bacon, ovos e torradas, costuma ser encarado como um inicio mais do que satisfatorio para um dia de trabalho ou lazer. Bem. Eu, particularmente, me satisfaco com um bom copo de leite.

Voltando ao fry-up. Os ingredientes variam de acordo com a regiao. A refeicao e composta basicamente de bacon e ovos, tradicionalmente fritos. Alguns dos ingredientes adicionais sao: torradas ou fatias de pao fritas, linguicas, tomates grelhados, cogumelos (grelhados tambem!), black pudding e baked beans. Alem dos hoteis - que preparam tudo isso para os turistas -, muitos greasy spoons (restaurantes pequenos, baratos e nada higienicos, especializados em frituras, que normalmente atendem a classe operaria) servem o tradicional cafe da manha ingles durante todo o dia. Bom pra quem gosta.

Aqui e assim. Um ou outro gato pingado liga pro que come. Como a esperanca e a ultima que morre, achei que o verao pudesse deixar os ingleses mais conscientes. Que nada! Balela! As cadeias de fast-food continuam lotadas. Na casa onde moro, por exemplo. De vez em quando temos salada a mesa. Quando muito, alface, tomates e pepinos. Em compensacao, comida oleosa e gordurosa e abundante. Sobram costeletas, bistecas e batatas.

A historia das costeletas de porco com barbecue sauce aconteceu mesmo. Os acompanhamentos eram espigas de milho e hash brown potatoes. Nem sinal de hortalicas ou verduras na geladeira, muito menos a mesa. Era domingo a noite, estava calor pra burro. Eu tinha acabado de chegar de um fim de semana natureba, regado a exercicios fisicos e muita agua mineral. Mesmo assim, jantei tudinho, nao tive como escapar. E fiquei emputecida. Nao posso negar.

Resultado? Estou de mudanca!

Beijao!
Juliana.

05 junho 2006

"Piqueniquei"!

Faltam dezesseis dias para o verao comecar oficialmente e tenho de confessar que ainda nao consigo confiar na previsao do tempo. Estava tentando organizar um piquenique desde o comeco deste mes, mas nao tinha conseguido relaxar e simplesmente arriscar. A falta de previsibilidade do clima incomoda os ingleses profundamente. Eu nunca tinha reparado nisso ate ler um dos livros de Marcello Rollemberg, no qual ele descreve - com muito humor e ironia - o quanto o imprevisivel incomoda uma nacao que tem mania de querer exercer controle sobre tudo. Nao sei dizer se ja estou incorporando algumas das excentricidades britanicas, mas essa incerteza toda me incomoda tambem. E muito.

Sabado passado os termometros indicaram 25ºC pela primeira vez em meses e todo mundo enlouqueceu. Os estoques de carne para churrasco dos supermercados acabaram em minutos. Os parques e pracas lotaram. Consegui - finalmente! - sair para o tal piquenique.

Tem gente que descreve Cheltenham como sendo a town within a park. Nao e pra menos: os parques, jardins e avenidas daqui sao bonitos mesmo! Entre muitas opcoes, escolhi Leckhampton Hill. E uma montanha que fica ao sul da cidade e pertence a uma area chamada Cotswolds. O lugar atrai muita gente, tanto residentes quanto visitantes. Por ser uma reserva natural, tem muito o que se ver por la: animais e flores selvagens, formacoes rochosas interessantes, alem de paragliders e uns gatos pingados fazendo piquenique, como eu. Todo o local e muito bem conservado tambem. Pelo que sei, voluntarios trabalham na manutencao da reserva pelo menos duas vezes por mes.

Seguindo os
conselhos da Fernanda, "piqueniqueira"-de-mao-cheia, comprei pao, queijo, salame, salada, azeitonas recheadas, suco de frutas e agua. Como nada pode ser planejado com muita antecedencia por aqui e piqueniques sao eventos mais do que descontraidos, tive que abrir mao dos guardanapos e da toalha, o que nao foi tarefa facil. Mesmo assim sobrevivi lambendo os dedos, embora nao seja a minha pratica favorita. E nao ofereci nenhuma resistencia a ter que subir e descer do monte, mesmo estando usando escarpins! Tudo muito brega para os padroes brasileiros, mas nada alem do que e normal por aqui. Pelo jeito mantive o padrao, ao ter me bronzeado vestindo camiseta tambem. Fui passear no calcadao no dia seguinte e pude perceber nao ter sido a unica. Ufa!

Neste mesmo dia jantei churrasco. Eu e a cidade inteira, a julgar pela quantidade de fumaca que eu conseguia ver de onde estava, sentada no quintal de casa. O primeiro desde que cheguei, diga-se de passagem. Churrasco aqui - sem contar hamburgueres e salsichas, claro - significa espetinhos de carneiro, sobrecoxas de frango, files de peixe e vinho branco. Nada proximo de cerveja geladissima e picanha mal-passada as quais estamos acostumados. Fazer o que, ne? Nao se pode ter tudo :)

Os dias continuam ensolarados e, pelo que tudo indica, teremos uma boa semana pela frente. Nada para se animar, claro. Para infelicidade geral da nacao - quase parafraseando Dom Pedro I no Dia do Fico - o tempo, meus caros, ninguem controla. Nem o mais conservador dos britanicos!

Um beijao. Estava com saudades!
Juliana.

18 abril 2006

I amsterdam®


Juliana.

07 abril 2006

British cuisine, sim senhor!

[Hot cross buns]

A comida da Gra-Bretanha* sempre teve uma reputacao pra la de duvidosa. Tambem pudera: quem se arriscaria a experimentar um negocio chamado tow'd in't th'ow (toad in the hole, num dialeto tradicional), sem ao menos saber do que se trata? Eu, nunca. O tal prato quer dizer - literalmente - Sapo no buraco. E o nome do pub que serve isso deve ser alguma coisa parecida com A Vaca, ou O Carneiro, ou algum outro assim, bem ordinario. Podem apostar.

Sapos e buracos a parte, toad in the hole e um prato ingles super tradicional. Tipico do norte da Inglaterra. Ja vi varias vezes por aqui, mas nunca imaginei que tivesse este nome. Nada mais e do que Cumberland sausages servidas dentro de um Yorkshire pudding, normalmente acompanhado de vegetais. Outros classicos ingleses sao: rhubarb crumble, marmite, Ploughman's lunch,
fish and chips e Cornish pasty, bons exemplos de comida boa com nome comum. Bem basico. Como tudo que e natural daqui.

Tenho certeza de que nenhum de voces sabe que os queijos ingleses estao entre os melhores do mundo. Superiores aos franceses, ate. A grande diferenca e que os franceses sabem vender os queijos deles. E a se vender tambem. Coisa que os britanicos estao muito longe de saber fazer bem. Nem existe uma palavra em ingles equivalente a "bom apetite", para voces terem uma ideia. E os pratos sao nomeados assim mesmo, sem atrativos. Enquanto os ingleses usam
custard para enriquecer as sobremesas deles, os franceses chamam o mesmo molho de creme anglaise. Chamam canapes de vol-au-vents. Cozido de cassoulet. Ensopado de bouillabaisse. Eles sao bons mesmo!

Thanks God hoje em dia e possivel encontrar comida decente por aqui. O pais e cheio de lojas de cadeias de fast-food, mas, gracas a influencia de paises como a China, India, Tailandia, Italia e paises mediterraneos, ja nao e mais tao dificil descobrir comida boa e barata em pubs e cafes.

A criacao do que e chamado de modern British cuisine tambem ajudou. No ano passado, uma revista de culinaria elegeu o restaurante do chef ingles Heston Blumenthal como sendo o melhor do mundo. Embora o dito cujo se chame The Fat Duck (ate os estrelados-Michelin tem nomes ridiculos, como voces podem ver), tem muito boa fama. Heston trabalha com o mesmo conceito da nueva nouvelle cuisine que o chef espanhol Ferran Adria - considerado um dos melhores chefs do mundo na atualidade - ajudou a divulgar internacionalmente.

Tem um negocio que esta super na moda tambem, chamado gastropub. Sao pubs especializados em comida de primeira qualidade, num nivel superior ao dos tradicionais pub grubs. A expressao foi criada em 1991, quando um pub chamado The Eagle (nada criativo, diga-se de passagem), em Londres, fez questao de enfatizar que a comida servida la era preparada nos mesmos padroes dos bons restaurantes da cidade. E tambem que, mesmo assim, a atmosfera descontraida era mantida. O equivalente na Franca sao as brasseries.

Ainda nao tive a oportunidade de experimentar tudo, mas ja tenho alguns favoritos - eu diria que alguns must-eats - para indicar a quem vier para os lados da terra da Rainha qualquer dia desses. Sao eles: gingerbread,
parsnip, goat's cheese, Eccles cakes, steak and kidney pie, Welsh cakes, black pudding e haggis. Todos cuidadosamente bem selecionados, claro. Tem que saber onde comprar, nao da pra sair comendo torta de bife e rim em qualquer lugar.

Ah, tem outra coisa curiosa aqui! Quando alguma data festiva se aproxima, os ingleses dao um jeito de colocar uma comida sasonal no meio da festa. Para indicar o comeco da Quaresma, por exemplo, na terca-feira antes da Quarta-feira de Cinzas, todos aqui comem panquecas. O dia e conhecido como Pancake Day. Elas sao preparadas para que todo o estoque de leite de ovos das residencias seja liquidado, ja que o prazo de validade destes alimentos e inferior ao periodo da Quaresma em si. Na Suecia come-se Semla. Na Italia, lasanha. Na Lituania, doughnuts.

A novidade da semana sao os Hot cross buns. Eu nunca tinha visto antes. Apareceram de repente, de um dia para o outro, e hoje lotam as prateleiras dos supermercados. E um paozinho doce, condimentado, cheio de uvas passas selecionadas e uma cruz feita de papel de arroz bem no meio deles. Historicamente, em paises cristaos, estes paes sao comidos na Sexta-feira da Paixao, ja que a cruz simboliza Cristo. Eu ganhei um e comi ontem mesmo, no horario de almoco. E estava otimo, mesmo assim!

Embora tenha nevado na semana passada, a primavera chegou de verdade. As ruas estao cobertas de narcisos - que chegam a enjoar, de tantos! - e, os dias, cada vez mais longos. E da-lhe protetor solar pra resguardar o rosto de todos os raios de sol, ja que a minha pele nao os ve faz tempo ;).

Um beijao!
Juliana.

*Com o passar dos seculos, a Gra-Bretanha evoluiu politicamente passando de paises independentes (Inglaterra, Escocia e Pais de Gales) a dois reinos que dividiam a mesma monarquia (Inglaterra e Escocia), e, depois, a uma unica ilha, chamada Reino da Gra-Bretanha. Esta configuracao durou ate 1801, quando da uniao da Gra-Bretanha com a ilha Irlanda. Formou-se, entao, o Reino Unido da Gra-Bretanha e Irlanda. Hoje em dia, depois da independencia de 5/6 da Irlanda em 1920 - a que hoje chamamos de Republica da Irlanda -, o nome completo do que chamamos carinhosamente de UK e Reino Unido da Gra-Bretanha e Irlanda do Norte. Ufa!